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Cachoeira 47º centígrados

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Corre através das janelas da sala de jantar um vento fresco, proveniente de algum noroeste das brisas marinhas da baía da Bahia de Todos os Santos até estes lados do recôncavo distante das praias de Barra do Paraguaçu e de Salinas das Margaridas, ou, quem sabe, venha o vento fresco da Ilha de Itaparica. É que estamos em pleno verão e qualquer brisa é festejada neste vale abrasador, interconectado pela centenária ponte D. Pedro II, principalmente quando o dia começa a anunciar seu fim, o sol já se esconde para além da Serra do Aporá, no planalto que sustenta Muritiba. Lá, sim, por ser mais alto, o clima é mais clemente e sempre sopram livremente as brisas marinhas distantes, mas por aqui, não sei se por causa da fundura do poço, das ausências das árvores, do cinturão verde que deveria cercar a cidade ou das suas pedras de fogo em paralelepípedos que pavimentam as ruas, o clima é causticante e por vezes, muitas vezes, durante o verão registram os termômetros 47º centígrados. Assim é normal que as matronas da cidade histórica recomendem aos seus rebentos que evitem o sol em pino, aquele sol inclemente, impávido e colossal, verdadeira bola de fogo, com seus raios faiscantes incidindo em linha reta do espaço sideral, numa plena e exata, vertical, 90º, sem barreiras, direto, por sobre o cucurute de qualquer cristão que por aqui ande desavisadamente nas ruas, vielas, praças e becos por volta das 12 horas. Mas, se ainda assim tiver que andar, precavidamente, ande bem próximo das paredes dos sobrados e dos solares, aproveitando-se, sempre, de alguma sombra desavisada projetada sobre o passeio. O ideal mesmo é se refugiar político climatologicamente entre as 11:00 e 16:00 horas, se entocar, aguardar a hora do almoço, confortavelmente, no mínimo com um pequeno ventilar, seminu e sobre a cama, sestar, como fazem os ibéricos há milênios, e, somente por os pés nas ruas por necessidade extrema de sobrevivência ou a partir das 16:00 horas, quando as coisas começam a arrefecer. Talvez, de bom alvitre, algum dia, quem sabe, um bom gestor perceba que amenizaria muito as inclemências do sofrimento destes cristãos que aqui habitam a constituição de um grande cinturão verde ao redor da comuna velha, um bosque com aproximadamente 500 metros de largura, que começasse lá pras bandas após o Tororó e alcançasse o ponto mais alto da Ladeira da Cadeia, ou, paliativamente, o plantio de árvores frondosas ao longo das avenidas e ruas mais largas desta urbe de berço genovês, em cada esquina, quem sabe, uma árvore, como aliás, certa feita tentou fazer o então Secretário de Agricultura e Engº Agrônomo formado pela UFBA, Cacai Lobo. O fato é que os daqui morrem muito mais no verão do que em qualquer outra época do ano e olhe que nem precisamos recorrer às estatísticas do IBGE, aos números registrados pelo Cartório de Pessoas Naturais ou aos registros da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia que administra o saudoso Cemitério da Saudade (que fique por lá e me espere prá daqui a muito tempo), para confirmar esse fato, volta e meia, ao longo do dia, os carros de som passam comovidos, aos prantos a convidar parentes, amigos e vizinhos para as últimas homenagens àquele que se foi… Enfim, o calor do verão detona com muitos heróis históricos dos tempos passados, que podem até mesmo, com sua fibra inquebrantável e viril, ter resistido ao tirano Madeira de Melo, as ditaduras do marechal de ferro, do pai dos pobres, do golpe militar de Castelo e às águas de março, mas, não resistem ao temeroso verão deste vale inclemente. Claro que apesar do sufoco existem algumas ilhas por aqui, para não dizer oásis, neste escaldante deserto e não são miragens, posso assegurar, como por exemplo as Praças Teixeira de Freitas, Faquir e Ubaldino de Assis, as margens do rio Paraguaçu, que desce lentamente lá das lavras diamantinas em seu natural curso buscando a baía e o mar, sobre o qual corre o noroeste em sentido oposto, alcançando prazerosamente a Estação Ferroviária, o Alto do Monte e as próprias ferragens da Ponte D. Pedro II, por sobre o cano de ferro que abastece com agua potável o outro lado do vale. Na Estação Ferroviária, sempre a partir das 16:00 horas se reúnem em assembleia cotidiana dezenas de aposentados, desempregados e afins para aproveitar a boa brisa marinha. É que eles, pessoas vividas, habilmente adaptadas ao clima, à topografia e as circunstancias sociais, sabem perfeitamente que nestes oásis é possível desfrutar das agradáveis brisas marinhas sopradas desde a Ilha de Itaparica até aqui, e que, além da brisa, podem gozar das suas oratórias para expor aos do entorno os seus mais variados pontos de vista sobre qualquer assunto, especialmente sobre aqueles assuntos que dizem respeito à vida alheia, naturalmente que tudo em segredo de vários amigos e assistentes. Assim, nestes locais se sabe de tudo um pouco, para alegria dos que falam e escutam e desespero daqueles sobre o que se falam e se comentam, isto quando o assunto não é sobre política, que neste caso particular pode variar de uma grande sugestão ao camarada Vladimir Vladimirovitch Putin ou mesmo uma virada de olho espichado para as atitudes malvistas de Donald John Trump, passando, claro, pelos assuntos em pauta no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa ou no gabinete do Exmo. Sr. Prefeito, que volta e meia, passa frivolamente acenando para os seus eleitores que retribuem o gesto largo contracenando com a mão direita abertas em movimentos de vai e vem da esquerda para direita, da direita para esquerda e fartos sorrisos nos rostos, até que o dignitário se afaste o suficiente para não ouvir os impropérios e desfaçatezes que lhe são atribuídos logo em seguida e que tão logo encontre qualquer dos presentes naquele instante de frivolidade, fique sabendo o que estavam dizendo ao seu respeito, às vezes com fidelidade, às vezes convenientemente ampliado para assim que for possível gozar das graças do governante e até quem sabe poder empregar um filho já passado na idade ou a si próprio no Paço Municipal. Tão logo a noite chegue o frescor do anoitecer resfria todo o vale e é hora do recolhimento, que por vezes continua precisando do reforço confortável de um ventilador, para os mais humildes, ou, de um ar condicionado para aqueles altos funcionários públicos, já que as atividades empresariais nestas bandas tem demandado um empobrecimento galopante dos capitalistas de plantão, como enfim se comenta nos oásis desta comuna. Bem lá que isto não seja verdade, pois suspeitam muitos, dos artifícios dos ricos empoderados em anunciar bancarrota para evitar empréstimos indesejados. Veja bem o que se passa, é assim, lá um belo dia, o amigo recorre ao amigo, toma-lhes algum numerário, com promessas de ressarcimentos “o quanto antes” – que nunca chega. Cansando o credor e apelando com reza forte para Santo Antonio intervir num sentido do seu habitual auxílio de promover soluções e achados. O fato é que a canseira do credor alcança outros estágios do procedimento executivo e o devedor, do que e sem porque, resolve declarar-se publicamente inimigo mortal do “amigo” credor, ora, ninguém nunca viu por aqui alguém cobrar alguma coisa a alguém com quem não se fala – inimigo declarado, e assim se resolve o passivo, ou seja, o amigo credor passa a ter um inimigo devedor. Quem sabe não seja o resultado das crendices no Santo lusitano, paduana, como queiram. O fato é que a dívida não é liquidada e os dois somente voltam a se falar quando inadvertidamente se encontram no velório ou no cortejo funerário de algum ente familiar, já que em horas tais, não admite o código de conduta municipal, que se negue a palavra de conforto ao mais canalha dos sujeitos. E assim, … como nos devemos perdoar os nossos devedores, o assunto se encerra, na onipresente esperança de que no andar de cima, nos apontamentos do Grande Pedro, o passivo iliquidável seja permutado em pequeno crédito divino, já que aqui na terra, o numerário já foi. CA/BA 22.02.2018 ZL

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